Arte religiosa – Decoração e espiritualidade

Ao percorrer a história das religiões e seus contextos históricos e culturais torna-se laborioso desconectar a espiritualidade da arte. Em museus e monumentos religiosos como catedrais ficam nítidas sua relevância e ligação com o ensinamento das doutrinas, expressamente marcado na decoração dos prédios.

Também não é sem fundamento que a etimologia da palavra religião advém do termo religare, que simboliza a reconexão humana com o divino. Ela é manifestada em sua totalidade através das mais diferentes expressões artísticas, movendo a contemplação espiritual a outro plano.

São, portanto, consideradas artes religiosas aquelas guiadas por conteúdos desta natureza utilizando figuras e representações, normalmente materializadas em pinturas, pequenas esculturas e na arquitetura, enfatizando o poder das artes decorativas e da ambientação dos espaços físicos (internos e externos) para ilustrar o divino, conquistar e educar fiéis.

A relevância da arte cristã, que se baseia nos textos bíblicos, no legado de culturas distintas e em diferentes momentos da história faz-nos elegê-la dentre as inúmeras artes sacras (hindus, budistas, islâmicas, nativas, etc.) como foco da poética relação entre espiritualidade e decoração de interiores.

Arte sacra e os primeiros estilos artísticos

A arte decorativa cristã se inspira em figuras e símbolos dos textos bíblicos.

Desde o período neolítico a conexão espiritual é considerada um tema relevante nas manifestações artísticas. Logo, o estilo de arte primitiva teve influência na construção da arte cristã que se instaurou após a morte de Cristo, especialmente através da escultura. Seus aspectos foram integrados ao estilo da arte greco-romana que gradualmente se harmonizaram as figuras e passagens da Bíblia, criando um padrão.

O florescimento de novos estilos para representar os ensinamentos cristãos como o românico, com destaque para os afrescos em cores sólidas que adornavam as paredes das igrejas, e o gótico, privilegiando esculturas tridimensionais expressivas, também tornou possível concretizar e naturalizar a imagem de anjos com asas e do espírito santo.

Movimento renascentista e o culto às imagens

O culto às imagens religiosas incentivou a criação de diferentes estilos de artes sacras.

As cenas dos evangelhos do Antigo e do Novo Testamento passaram a ser retratadas em pinturas e retábulos com profusão de detalhes durante o Renascimento. A arte renascentista, em grande maioria financiada pela instituição religiosa, fez surgir formas diferentes de devoção como o culto às imagens de santos e símbolos da conexão divina como o crucifixo.

Outra característica do período foi o desenvolvimento de novos temas centrados no homem, devido ao antropocentrismo que ganhava destaque dentre as já tradicionais figuras bíblicas realistas, como a Sagrada Família – composta por Jesus, Maria e José. Até então reforçavam o caráter catequético da arte religiosa medieval e o domínio da igreja sobre a cultura.

A escultura realista e estilizada de imagens religiosas

Artes sacras em escultura realista deram espaço para as estilizadas respeitando o resplendor do culto.

Quando a arte barroca tomou forma, marcada pelo período de Contrarreforma, o sagrado ganhou um tom cênico em oposição às imagens renascentistas. As figuras eram criadas com movimento e dramaticidade, ou seja, com emoção para provocar emoções, reforçando conceitos como o antagônico céu e inferno.

Momentos como o Nascimento de Cristo e a Crucificação foram criados em composições livres e com detalhes finamente trabalhados abrindo espaço, no decorrer dos séculos, para a liberdade artística no século XX e XI. Com o Concílio Vaticano II, as normas eclesiásticas de adequação à fé e as leis religiosas foram flexibilizadas e a arte sacra pode ser criada de maneira estilizada respeitando a intenção de servir ao esplendor do culto.

Arte religiosa e a decoração de ambientes

A arte religiosa de tornou um importante elemento decorativo para criar um ambiente caloroso.

A criação e reprodução de artes sacras em larga escala ou em produções artesanais, assumindo formatos menores, transportou a essência de conexão espiritual característica de monumentos religiosos para a decoração de interiores. O tom místico particular dos artesanatos cristãos se converteram em um elemento reconfortante, além de ancorar beleza e impacto visual.

A sensação de conforto que imprimem no ambiente e em nosso interior vem também da predileção as matérias-primas que provocam calor, como a madeira, ainda que personalizadas com pinturas coloridas ou pátina branca. Peças artesanais, por exemplo, alcançam a estética calorosa com maestria, sobretudo se dispostas em conjunto em um cantinho especial para oração.

Não há limitações de espaço ou um lugar adequado se quiser dar protagonismo a uma única arte religiosa, seja na decoração de parede como os rosários e o resplendor espírito santo, ou sobre os móveis, como estatuetas de anjos e seus pares de asas. Dependerá do quão a obra é significativa para você dentro do ambiente que escolher. Em nossa loja virtual encontrará inspirações para os mais variados interiores!

Namastê!

Milene Sousa – Arte & Sintonia

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