Arte indígena – Esculturas e urnas funerárias da cerâmica tapajônica

A produção artística indígena sempre foi um guia para a compreensão da história e da cultura que fundamenta a origem de determinado povo. E a cada nova pesquisa esta arte ancestral se mostra diversa, sustentável e extremamente rica – estilística e conceitualmente. A arte indígena brasileira, por sua vez, não foge desta perspectiva e expõe as crenças e as manifestações de cada etnia como riquezas culturais.

A estética única atrelada ao misticismo deste artesanato brasileiro desperta interesse e o coloca como elemento diferenciador na decoração do ambiente. Assim é a arte em cerâmica tapajônica, vestígios que caracterizam a herança cultural da tribo indígena Tapajós que habitou as adjacências do rio Tapajós, à beira da atual Santarém, no Pará.

Artesanato brasileiro produzido pelos índios Tapajós

Vasos, urnas funerárias e esculturas de barro são os principais artesanatos cerâmicos dos índios Tapajós.

Ao observar a arte tapajônica em profundidade torna-se mais simples compreender que o artesanato não é apenas a representação da cultura de um povo, mas também do seu ideal de beleza e da sua percepção do que seja inspiração. Através dela é possível deduzir que tanto o homem quanto a fauna amazônica sejam foco da arte e das cerâmicas ornamentadas. O estilo e a noção estética avançada dos artesãos tapajônicos incitam a possibilidade de serem descendentes de civilizações antigas como os Maias e os Incas.

No decorrer de pesquisas aprofundadas, a arqueóloga norte-americana Anna Roosevelt comprovou que algumas cerâmicas dos Tapajós (únicos registros históricos desta etnia indígena) foram produzidas há mais de 6 mil anos e que o desenvolvimento da tribo ao longo do rio Tapajós se deu em torno de 1200 a.C.. No entanto, apenas em 1923 – quase 400 anos após o declínio da cultura indígena e extermínio da etnia pelos “brancos europeus” – é que esta manifestação artística foi difundida no mundo pelo etnólogo Kurt Nimuendajú.

Características da arte em cerâmica tapajônica

As cerâmicas tapajônicas são formadas por elementos antropozoomórficos que exaltam a fauna brasileira.

A junção de argila e cauxixi (um tipo de esponja presente nos rios da região) promove na cerâmica artesanal características similares à porcelana como durabilidade e leveza. Outras particularidades como o alto nível de detalhismo e realismo das peças e a harmonia dos elementos decorativos que reafirmam a sofisticação da arte tapajônica remetem à excelência da cerâmica chinesa e à arte barroca.

As cerâmicas dos Tapajós, especialmente os vasos e as urnas funerárias, tinham finalidades específicas de armazenamento de alimentos, bebidas e cinzas para utilizá-los durante cerimônias festivas e religiosas. Em alguns rituais indígenas, as cinzas dos familiares, por exemplo, eram incorporadas às bebidas fermentadas de milho ou arroz para serem ingeridas.

Entre as peças destacam-se o vaso cariátides, marcado pela base sustentada por três figuras femininas e abundante decoração plástica; e o vaso de gargalo com rebuscados elementos antropozoomórficos no bojo esférico. Esses detalhes revelam a figura de animais nativos da Amazônia como algumas aves, jacarés, onças-pintadas e cobras em sinergia a feições humanas similares às representadas na cultura andina.

Legado dos Tapajós para os artesãos de Santarém

Artesãos santarenos mantém a arte tapajônica viva através da reprodução das cerâmicas indígenas.

A arte cerâmica produzida pela tribo indígena Tapajós também inclui uma variedade estatuetas antropozoomórficas – ora ocas como potes e ora maciças – e esculturas famosas como os Muiraquitãs. Este legado dos índios Tapajós tem identidade cultural preservada com fidelidade pelos artesãos santarenos, motivo o qual também é conhecido como cerâmica de Santarém ou cerâmica santarena.

A cerâmica tapajônica foi transformada em referência oficial do comércio, do artesanato e da cultura de Santarém. A herança cultural é mantida por artistas locais, museus como o Centro Cultural João Fona e projetos de revitalização de técnicas de produção, como o “Projeto de resgate da Iconografia Santarena” da Faculdade Integrada do Tapajós, que visa recuperar os traços originais criados pela tribo.

A escultura indígena tapajônica como decoração de interiores

A originalidade e o apelo étnico das cerâmicas santarenas causam impacto na decoração.

A escultura decorativa inspirada nas cerâmicas dos índios Tapajós impressionam pela singularidade estilística e levam o conceito de beleza a outro patamar. São verdadeiras expressões artísticas que valorizam os ambientes, causam impacto na decoração e incentivam a preservação das nossas raízes indígenas pelas mãos dos artesãos santarenos.

Como grande parte dos artesanatos brasileiros dessa origem, as esculturas de barro tapajônicas são comercializadas em Manaus e distribuídas para todo o Brasil por lojas especializadas em artes decorativas como a Arte & Sintonia. Cada artesanato de barro – fiel reprodução da antiga cerâmica decorada dos Tapajós – torna evidente o estilo exclusivo do patrimônio artístico deixado pelos índios brasileiros.

Não deixe de conferir a riqueza das peças disponíveis na loja online e na física!

Namastê!

Milene Sousa – Arte & Sintonia

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