Tapeçaria Kilim – Tapetes artesanais étnicos do Egito

Se percorrer as páginas da história da antiguidade registradas em narrativas literárias com viés mitológico e históricas através de autores antigos como Homero e da contemporaneidade como Alastair Hull, respectivamente, perceberá que as vozes femininas silenciadas ao longo dos séculos encontraram nos teares um poderoso meio de comunicação para expressar a história, os costumes e os anseios sob seus pontos de vista tecidos e com suas próprias mãos e simbolismos.

Desta forma, os padrões distintivos de tapeçarias tradicionais como a Kilim revelam não só valores culturais e materiais incomensuráveis para além da beleza singular que transforma a decoração de interiores com suas combinações de cores, mas exibem a essência da arte oriental que compreende países como Turquia (Anatólia), Irã (Sanandaj), Egito (Fuwa), entre outros.

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A tessitura de tapetes como o Kilim foi uma dos principais formas de comunicação femininas ao longo da história.

Kilim, Klim ou Kelim são palavras turcas de influência persa que definem tapeçarias de tecelagem plana feitas com entrelaçamento de tramas e urdumes de em tear vertical (flatweaving), sem nós, criando motivos geométricos arrojados, cujos símbolos são excepcionais diferenciadores étnicos e fazem parte do patrimônio cultural de regiões como Oriente Médio, Bálcãs, Cáucaso, Norte da África, Ásia Central, Ásia Meridional e Extremo Oriente.

A técnica mais tradicional de tecelagem do tapete Kilim é a slitweave, que consiste em laçar o fio tramando-o e firmando-o com o pente (beating comb) entre as lacunas da urdidura (fios longitudinais) que é disposta verticalmente no tear para formar artigos têxteis exclusivos com desenhos em diferentes blocos de cor. Estima-se que estes padrões étnicos tenham origem na Mesopotâmia, datando entre 8000 a.C. e 4000 a.C..

Kilim simboliza o tipo de tapeçaria artesanal tramada com laçadas sem nós entre as lacunas dos urdumes.

A iconografia Kilim se mostra em tapetes para sala e passadeiras mantendo viva a linguagem que as tecelãs de diferentes povos nômades utilizavam para materializar a cultura do grupo étnico que pertenciam. Essas memórias tecidas em cores vibrantes formando complexas decorações nas tapeçarias revelam como a tecelagem oriental sustentou a autenticidade resguardando as técnicas tradicionais de fiação, tintura e tessitura dos fios.

A exímia qualidade artística do trabalho dos tecelões egípcios é outro traço de que a identidade Kilim foi preservada e seus desenhos estampando tapetes artesanais transmitidos de geração a geração. A atual tecelagem dos tapetes étnicos feita por pequenos artesãos é também um símbolo de resistência da tradição diante a produção industrial chinesa.

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Os padrões tecidos nos tapetes Kilim exaltam a identidade cultural de diferentes grupos étnicos nômades.

Cada desenho reproduzido ao longo do tapete apresenta um simbolismo particular que remete aos costumes, aos sentimentos e a compreensão do mundo dos povos ancestrais. Inicialmente os símbolos Kilims foram utilizados para informar e transmitir histórias, entretanto, com a mistura de culturas e etnias se incorporaram a esfera mítica e a cosmologia xamânica, fazendo o valor cultural entrelaçado em cada padrão dos tapetes não os limitar ao propósito decorativo.

Alguns motivos são frequentemente revisitados como: Kocboynuzu (chifre de carneiro), símbolo de poder e masculinidade; Bukagi (fetter ou manguito) evidenciando a união familiar; Elibelinde (mãos no quadril), representando fertilidade e feminilidade; Sacbagi (faixa de cabelo), figurando o desejo feminino de se casar; Bereket (Elibelinde + Kocboynuzu) inspirando fertilidade e proteção do lar; Kurt Agzi (boca de lobo); simbolizando o desejo de solidariedade; entre outros.

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Os símbolos Kilim formam verdadeiras obras de arte nas tapeçarias egípcias para revestir o chão com elegância.

Em cada Kilim há um conjunto desses símbolos ancestrais que contam suas próprias histórias tecidas pelas tecelãs do Egito que generosamente compartilham a tradição da tapeçaria com o mundo da decoração. A cor predominante (azul, preto, vermelho ou vinho), por sua vez, atua como pano de fundo destacando os padrões para promover um tom especial nos ambientes.

A essência inspiradora dos motivos e o trabalho feito a mão valorizam a peça tirando-a do status de objeto utilitário para elevá-la ao de uma obra de arte empoderadora. Nela a voz feminina, tantas vezes silenciada, não é varrida para “debaixo do tapete”, mas o estampa com estéticas e propósitos enriquecedores exprimindo desde o desejo de se casar com brincos (Kupe) até símbolos místicos de proteção e abundância como a planta bardana (Pitrak).

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A cor predominante do tapete Kilim dá um tom especial à decoração artesanal com essência étnica.

O estilo único dos Kilims da nossa loja virtual os tornam peças versáteis para diferentes tipos de decoração. Podem ser utilizados como mantas em sofás e beirais de camas ampliando a sensação de aconchego; na decoração de paredes para criar ponto focal nos interiores ou no chão como poderosas afirmações guiando os passos dentro do ambiente. Ao escolher um tapete para chamar de seu confie em seu senso de estilo e no que os desenhos despertam em você.

Namastê!

Milene Sousa – Arte & Sintonia

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