Japamala – Terço budista para mantras, yoga e meditação

Orações ou mantras são eficientemente repetidos ao serem acompanhados por colares de contas. O uso desta poderosa ferramenta de concentração em práticas espirituais (católicas, islâmicas, budistas ou hinduístas) tem origem na Índia, durante o século 8 a.C., sendo utilizada por grande parte da população mundial, em que cada tradição dá a ela um nome (seja rosário, masbaha ou japamala), significados e quantidades específicas de contas.

Japamala é a justaposição dos termos sânscritos japa, que significa “sussurrar” ou “murmurar”, e mala, que simboliza “guirlanda” ou “coroa”. Juntas unem a corrente espiritual, as repetições de mantras, com a corrente física, representando a energia das divindades conforme o tipo e a cor dos detalhes. As contas do famoso cordão sagrado utilizado como terço no budismo e hinduísmo são os guias dos praticantes de mantras, yoga e meditação.

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Japamala é um cordão de contas utilizado para guiar orações e mantras em meditações.

Ao longo da história as contas mantiveram em acessórios a conexão entre o mundo físico e espiritual, sendo usufruídas como instrumentos energéticos de talismãs ou amuletos de sorte e proteção. A mesma associação simbólica é mantida no terço budista que apresenta tradicionalmente 108 contas ou variações com 27 e 54 que são contadas com os dedos polegar e médio (ou anular), visto que o dedo indicador simboliza o ego que precisa estar ausente em uma prática zen.

Para a filosofia yogi, ao completar 108 repetições vocalizando ou mentalizando a oração você acessa um estágio consciencial superior, visto que 108 é considerado um número místico indiano com muitas relações simbólicas. Dentre elas destacam-se as letras do alfabeto sânscrito; os textos sagrados hindus (Upanishads); os locais sagrados na Índia; os pontos de marma (pontos de força vital do corpo); e os estágios da alma na terra. Todos com 108!

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Ao completar as 108 repetições do japamala você acessa sua consciência superior.

Na cultura hindu as 108 contas representam os 6 sharipu ou arishadvarga (inimigos da alma) que são purificados nas orações, caracterizados como desejo (kama), raiva (krodha), cobiça ou ganância (lobha), ilusão ou apego (moha), orgulho (mada) e inveja (matsarya). Considera-se que até 2 defeitos possam ser dominantes, gerando combinações entre si que resultam em 36 permutações como, por exemplo, desejo-apego e orgulho-inveja.

As permutações podem ter uma das três energias dominantes ou gunas (sattva, raja ou tama), produzindo 108 repetições, cada uma das contas do mala. Contudo, assim como o tipo de conta a variação numérica é significativa para marcar o propósito. Meditações e mantras para progresso espiritual, por exemplo, utilizam japa malas com 27 grânulos, enquanto as para o cumprimento de todos os desejos usam-se peças tradicionais com 108.

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A primeira e também a maior conta do rosário hindu é chamada meru ou guru e representa o absoluto.

A conta de mala inicial/ final, a 109ª e a maior delas, é chamada de meru (montanha, merumani e merubead) ou guru (professor e grânulo guru). Ela é a conta principal do japamala e não pode ser contada, uma vez que não faz parte do ciclo do samsara e é a representação do divino, do absoluto e de Brahma, deus hindu da criação do universo.

As contas de meditação hindu-budista são unidas por um cordão que simboliza a conexão entre tudo o que existe e são distanciadas por nós ou entremeios com contas menores para que não se toquem durante as práticas e mantenham os praticantes despertos e focados na intenção durante as repetições de mantras.

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O cordão do terço budista representa a conexão entre tudo o que existe.

Alguns japamalas apresentam marcadores múltiplos de 9 entre as contas de mantra que funcionam como lembretes resgatando a mente de dispersões nas orações budistas. Ainda assim, os terços hindus mais tradicionais – feitos com sementes de rudraksha (lágrimas de Shiva) – não possuem marcadores e são ideais para praticantes mais experientes.

Suspenso na ponta do mala aparece o tassel ou ponteira que simboliza a iluminação, a conexão com o divino que há dentro de nós. Está interligado ao Turiya, estado natural do ser, o eu divino, que permanece inacessível enquanto os três estados da consciência (vigília, sonho e sono) não são sublimados. Em algumas culturas pode simbolizar a flor de lótus, figurando a evolução espiritual , a pureza de espírito necessária para experienciar a iluminação.

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O tassel colorido na ponta do rosário budista simboliza a iluminação, o alcance do propósito meditativo.

A combinação de contas do mala e meru, estilos de entremeios e cores do tassel define o tipo de energia que vibra no japamala. Em nossa loja virtual há opções para todas as intenções! Mantenha-se atento ao que se sintoniza com a sua essência e o auxiliará a encontrar equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual.

Namastê!

Milene Sousa – Arte & Sintonia

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