Iconografias e significados das imagens de Buda

Já mencionamos a essência espiritual da arte budista assim como demonstramos a importância de seu papel como arte decorativa para a difusão e assimilação de ensinamentos do budismo. Do mesmo modo exploramos as diferenças dos mudras nas esculturas de Buda e como podem transmitir mensagens diferentes conforme os gestos com as mãos.

No entanto, todo esse conteúdo que disponibilizamos para demonstrar o valor da arte zen ainda é muito pequeno diante da riqueza de simbolismos espirituais e a complexa iconografia das imagens de Buda que variam na história budista conforme a vertente da filosofia, a cultura local, a leitura do artista e o propósito da arte budista – devocional, ritualístico ou decorativo.

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A iconografia que forma a imagem de Buda varia conforme a vertente do budismo e o propósito da arte.

A representação artística com características humanas, que evocam a sensação de sua presença no mundo, é uma arte figurativa posterior no budismo, figurando no século II d.C.. Anteriormente a presença era contemplativa e associada a símbolos visuais ou artes com funções simbólicas que demonstram sistemas representacionais e conceitos espirituais.

Uma vez em forma física, Buda oferece a oportunidade de meditar acerca de sua história à caminho do Nirvana e os ensinamentos de sua sabedoria divina alcançada com a iluminação. Asanas e mudras oferecem compreensões acessíveis, embora toda a profundidade da escultura de Buda esteja nos 32 Lakshanas ou atributos corporais que evidenciam aspectos de seu caráter espiritual conforme os estágios da iluminação.

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A representação da imagem de Buda com traços humanos evoca a sensação de sua presença no mundo.

Os Lakshanas que mais se destacam nas artes dos templos budistas são: a roda da lei ou roda do dharma (dharmachakra) sob os pés simbolizando os 8 caminhos nobres de Buda (pensamento, ação, entendimento, linguagem, modo de vida, atenção plena, esforço e concentração corretos); cabelos anelados referenciando a inteligência elevada; o bindu na altura do chakra frontal (terceiro olho) evidenciando a percepção espiritual e a visualização do absoluto; e a protuberância (ushnisha) que representa a conquista da sabedoria que acessa a iluminação.

A flor de lótus também se faz presente na iconografia de Buda para demonstrar pureza e crescimento espiritual; bem como os mudras com suas orientações específicas e os asanas (posturas de yoga) em pé ou sentados em meditação mostrando os momentos de sua história. Outro atributo relevante exposto na cabeça de Buda são os lóbulos alongados, utilizados para demonstrar seu desapego material (ao excesso de joias que pesavam nas orelhas) e a abnegação à antiga vida monárquica.

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Cabelos anelados, bindu, ushnisha e o lóbulo alongado enriquecem a iconografia da Cabeça de Buda.

A imagem de Hotei, popularmente conhecido como Buda Gordo (ou Buda sorridente e Budai), é equivocadamente associada ao Buda histórico Siddhartha Gautama. Não obstante, ainda que apresente alguns de seus traços simbólicos e sua sabedoria búdica, a presença da barriga saliente simbolizando a satisfação, a abundância e a benevolência figura um dos sete deuses da sorte (Shichi Fukujin) japoneses.

No budismo chinês, Hotei é uma das muitas manifestações de Maitreya, o Buda do futuro, ilustrado como um monge budista careca geralmente sorrindo – personificando a virtude da felicidade – que é considerado o 5º Buda na escatologia budista, que virá ao mundo para suceder Gautama Buddha.

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O Buda gordo ou Hotei é considerado uma das muitas manifestações do Maitreya, o Buda do futuro.

Ainda que as estátuas figurativas não revelem em plenitude a importância das cores na iconografia budista, elas são muito significativas nas imagens de Buda e mais conhecidas quando manifestas nas figuras de Amitabha (vermelho), Sangye Menla ou Buda da medicina (azul), Maitreya (verde) e Shakyamuni Buddha (amarelo).

As cores branco, tons amarelos (ou laranjas), tons vermelhos (ou rosas), preto (ou tons azuis) representam as quatro atividades das práticas tântricas interligadas à natureza dos Budas: pacífica, crescente, poderosa e irada. O verde sugere a realização de todas as práticas que surge da combinação das quatro cores e quatro atividades. A cor do Buda é extremamente importante para compreender a sua essência e propósito.

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As cores da iconografia budista são importantes para compreender a natureza do Buda.

Estilos artísticos ocidentais também foram grandes influenciadores das mudanças nas esculturas de Buda ao longo dos séculos, como o grego, por exemplo, na representação do manto monástico com caimento e estética de toga grega. E apesar de tantas transformações estéticas a alma da arte budista permanece inalterada para auxiliar a harmonizar o ambiente e a encontrar equilíbrio e bem-estar.

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Namastê!

Milene Sousa – Arte & Sintonia

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