Rock balancing

É provável que em algum momento teve contato com a art of balancing, seja em uma trilha, às margens de uma cachoeira ou nos feeds do Instagram e Pinterest, e se surpreendeu com o equilíbrio que desafia a gravidade alcançado pelas pedras ou rochas sutilmente sobrepostas. Sendo ele a essência do rock balancing ou stone balancing (balanceamento de rocha ou pedra) é considerável que o entendimento do processo criativo seja associado não apenas à uma performance, mas à arte zen e prática meditativa.

A arte de equilibrar pedras esteve presente em muitos momentos da história da humanidade e sua prática espiritual não se trata apenas do empilhamento das mesmas, mas do entendimento dos processos naturais (internos e externos), através da desconexão com o ego para a conexão com o todo, proporcionada pela meditação. Ao silenciar a mente e se colocar presente no momento você, automaticamente, acessa sua sensibilidade e compreende que tudo está interligado, não havendo dentro ou fora.

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Equilibrar pedras sobrepostas é uma prática meditativa que o auxilia a acessar o equilíbrio interno.

Assim como o jardim japonês ou as mandalas de areia budistas, o rock balancing evoca princípios zen para um valioso exercício de desprendimento e consciência sobre a impermanência de tudo o que existe e a transitoriedade dos ciclos da natureza. A prática holística nos coloca diante de algo que é construído a partir de escolhas e que, a qualquer momento, pode desmoronar exigindo o desapego para um novo começo.

Neste âmbito, a pedra não é sua extensão, mas você mesmo com sua solidez interior somada às características que são constantemente transformadas por fatores externos como o próprio tempo. Por isso, na prática, o equilíbrio da arte vai sendo obtido à medida que você o conquista junto à paciência, confiança e relaxamento.

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O rock balancing é uma arte zen que leva à meditação sobre a impermanência e a transitoriedade da vida.

A maneira como as pedras são dispostas às direcionam em categorias como rock stacking, caracterizada pela sobreposição de pedras focada na altura; balanceamento em linha, realizada através da definição de um eixo central para a disposição das pedras; contrabalanço, cujas pedras são arranjadas baseadas na distribuição do peso com pontos de equilíbrio em lugares distintos; arco, com manobras que desenham formas curvas e estilo livre com a combinação de duas ou mais técnicas.

O simples empilhamento de pedras com a função de encontrar a estabilidade entre elas e o globo de rocha, a junção de uma grande quantidade de pedras formando volume e criando um design com o menor ponto de apoio possível, são outros estilos praticados com a intenção que desejar, seja como oração, meditação, marcação de trilhas ou performance artística.

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Stone balancing em arco brinca com a gravidade e o equilíbrio em curvas. Foto: Creative Commons CC0 | Reprodução

Muitos artistas se encontraram no processo terapêutico da gravity meditation. Nomes como Bill Dan, Kokei Mukini, Michael Grab, John Felice Ceprano e Travis Ruskus compreenderam na prática as leis da física e desenvolveram esculturas complexas que contrastam o poder da estrutura com a fragilidade do momento que pode fazê-la desmoronar.

A disseminação do balanceamento de pedras em todo o mundo encorajou a criação de campeonatos como o World Rockstacking Championship, que ocorre na Llano Earth Art Fest no Texas, para qualquer pessoa que se sinta sintonizada com esta arte zen ou hábil à concorrer em alguma das categorias como altura, equilíbrio, arcos, quantidade e artística.

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O balanceamento de pedras é para todos que buscam equilíbrio. Foto: Janith Chanaka | Reprodução

Ainda que seja uma experiência engrandecedora, realizar stone balancing na natureza causa preocupação ambiental devido à interferência humana no ecossistema como o deslocamento do habitat de insetos ou a interrupção do fluxo de rios. Sendo a prática voltada ao bem-estar como um todo, é preciso estar atento ao impacto causado no ambiente, sendo necessária a devolução das pedras no espaço original.

Outra alternativa consciente (e a mais acessível) para realizar a meditação com o empilhamento de pedras é a utilização de ambientes externos que favoreçam a dedicação contínua à construção e reconstrução de si mesmo ao mesmo tempo em que escultura leva propósitos elevados à decoração de jardim.

Deixe-se conduzir pela rock balancing e esteja presente. Selecione as pedras cuidadosamente, sentindo suas características, e explore as diversas maneiras de equilibrá-las enquanto alcança paz interior.

Namastê!

Milene Sousa – Arte & Sintonia

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